Os riscos do tabaco para a saúde, entre diagnóstico precoce e exames de controlo
Das milhares de substâncias tóxicas contidas no fumo aos danos nos pulmões e no coração, até aos exames para os detetar a tempo: o que saber sobre os riscos do tabagismo
Um problema de saúde pública global
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o tabaco causa hoje mais de 7 milhões de mortes por ano, das quais cerca de 1,6 milhões dizem respeito a não fumadores expostos ao fumo passivo. No mundo estima-se que existam 1,3 mil milhões de consumidores de tabaco, 80% dos quais vive em países de baixo e médio rendimento, onde o peso sanitário e económico da doença se faz sentir com maior intensidade. Em Itália, o quadro epidemiológico mantém-se significativo: segundo a vigilância Passi do Instituto Superior de Saúde, no biénio 2022-2023 um em cada quatro italianos (24%) era fumador. Entre os jovens de 14 a 17 anos a percentagem sobe para 30,2%, que declara ter utilizado nos últimos trinta dias cigarros tradicionais, tabaco aquecido ou cigarros electrónicos, com um policonsumo quase duplicado em relação a 2022 (de 38,7% para 62,4%). Em crescimento também o uso exclusivo de dispositivos electrónicos entre os adultos, que passou de 0,4% em 2014 para 3,3% em 2023.
O que contém o fumo do tabaco e por que é prejudicial
Segundo o Instituto Superior de Saúde, o fumo do cigarro contém mais de 7.000 substâncias químicas, das quais pelo menos 250 são nocivas e mais de 69 são classificadas como cancerígenas para o ser humano. Quatro componentes principais explicam a maior parte do dano biológico:
- Nicotina: estimula a libertação de adrenalina, aumentando a frequência cardíaca e provocando vasoconstrição, factores que, com o tempo, favorecem o desenvolvimento de aterosclerose e hipertensão. Considerada uma das substâncias mais aditivas conhecidas, a nicotina age sobre os receptores dopaminérgicos do cérebro com um mecanismo semelhante ao de outras drogas de abuso, determinando uma forte dependência tanto física como psicológica.
- Alcatrão: o resíduo sólido que se deposita nas vias respiratórias, transporta a maior parte das substâncias cancerígenas, entre as quais os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos e as nitrosaminas específicas do tabaco, capazes de danificar diretamente o ADN celular.
- Monóxido de carbono: produzido pela combustão, liga-se à hemoglobina com uma afinidade cerca de 200 vezes superior à do oxigénio, reduzindo a capacidade do sangue de transportar oxigénio aos tecidos e sobrecarregando o trabalho do coração.
- Substâncias irritantes e metais pesados: a amónia, a acroleína e o ácido cianídrico paralisam os cílios brônquicos comprometendo a clearance mucociliar, enquanto o cádmio, o arsénio e o crómio se acumulam nos tecidos com efeito tóxico cumulativo.
As principais doenças relacionadas com o tabagismo
Entre as patologias mais estreitamente relacionadas com o tabagismo, algumas revelam-se particularmente relevantes pela sua frequência e gravidade:
- Carcinoma do pulmão – o tumor mais frequentemente associado ao tabagismo, com um risco de 15 a 30 vezes superior ao dos não fumadores; o tabagismo é responsável por cerca de 85% dos casos diagnosticados.
- Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) – patologia respiratória crónica progressiva da qual o tabagismo é a principal causa, juntamente com o enfisema e a bronquite crónica; comporta um declínio progressivo da função pulmonar e uma crescente limitação do fluxo de ar.
- Cardiopatia isquémica e enfarte do miocárdio – o fumo danifica o endotélio vascular, favorece a formação de placas ateroscleróticas nas coronárias e aumenta a tendência para a trombose, acelerando o aparecimento de eventos cardíacos agudos.
- Acidente vascular cerebral – a vasoconstrição, o aumento da pressão arterial e as alterações da coagulação induzidos pelo fumo elevam o risco de eventos cerebrovasculares, tanto isquémicos como hemorrágicos.
- Tumores da cavidade oral, da laringe e do esófago – o contacto directo das substâncias cancerígenas contidas no fumo com as mucosas das vias aerodigestivas superiores favorece o seu aparecimento, frequentemente em sinergia com o consumo de álcool.
Os exames para avaliar os danos do tabagismo
O percurso diagnóstico para identificar precocemente os danos causados pelo tabagismo baseia-se principalmente em cinco instrumentos:
- Espirometria – exame fundamental para a avaliação da função pulmonar, identifica precocemente sinais de DPOC, quando os sintomas ainda estão ausentes.
- Tomografia computorizada do tórax de baixa dose – recomendada em fumadores assíduos com risco de carcinoma pulmonar; segundo o estudo NLST reduz a mortalidade por tumor do pulmão, ajudando a identificá-lo numa fase precoce.
- Electrocardiograma e ecocardiograma – avaliam a função cardíaca e permitem identificar alterações estruturais ou funcionais relacionadas com o tabagismo.
- Ecodoppler dos troncos supra-aórticos e prova de esforço – estimam o grau de aterosclerose e podem evidenciar uma isquemia miocárdica não manifesta em repouso.
- Análises laboratoriais (carboxiemoglobina e cotinina) – fornecem uma indicação objectiva da exposição ao fumo, útil na fase diagnóstica e para monitorizar a adesão a um percurso de cessação tabágica.
A combinação destes instrumentos permite ao profissional de saúde quantificar o dano orgânico já presente e estabelecer um seguimento dirigido. Os mesmos instrumentos acompanham também o percurso de cessação tabágica, apoiando o doente juntamente com o médico de família e as terapias disponíveis. Uma intervenção atempada continua a ser decisiva para aumentar as probabilidades de sucesso na cessação tabágica.